O turismo cozido à portuguesa. Quem prova Portugal não esquece

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É o que diz a Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia. O Congresso Mundial de Turismo de Culinária decorre no Estoril.

“Quem nunca veio a Portugal nunca fala na gastronomia, mas quem já cá esteve é das primeiras coisas que refere. E lembra-se dos produtos e dos pratos”, diz o presidente da Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia (APTECE), José Borralho. Arranca esta quarta-feira o Congresso Mundial de Turismo de Culinária, no Estoril.

A qualidade dos produtos, a autenticidade da confecção dos pratos, das cores, cheiros e sabores da comida portuguesa são os argumentos que convencem os turistas, sobretudo os “gastronómicos” (aqueles que põe as comidas locais no topo das prioridades na hora de viajar), afirma José Borralho à Renascença.

“De 25 em 25 quilómetros temos uma forma diferente de fazer as coisas, temos produtos diferentes”, diz.

Essa diversidade foi um dos grandes trunfos que a APTECE apresentou para conseguir trazer para Portugal a edição de 2015 do Congresso Mundial de Turismo de Culinária, que decorre nos próximos três dias no Centro de Congressos do Estoril.

Os participantes, vindos de todo o mundo, têm passado os últimos dias a experimentar esses sabores. O objectivo é que voltem, com mais tempo para continuar a apreciar. Mas também que passem a palavra, incluindo nas redes sociais e nos blogues.

Os estudos internacionais revelam que, anualmente, mais de 1 milhão de pessoas faz “turismo culinário”. São turistas com um elevado poder de compra e que, em média, gastam mais de metade do orçamento da viagem com actividades gastronómicas, revela José Borralho. E este é mais uma vertente em que o turismo nacional tem grandes potencialidades, defende.

No entanto, o presidente da APTECE lembra que “não se pode vender o país só pela gastronomia. O turismo de culinária tem que estar associado a outros produtos” e implica a criação de um sistema de cooperação.

“Por exemplo, o turismo religioso. Sabemos que os nossos doces conventuais nasceram entre o clero. Porque é que as nossas igrejas não podem associar as histórias dos doces dentro daquilo que são as experiências do turismo religioso?”, sugere.

O segredo é pegar em quem vem pela história, pela cultura, pela natureza ou pelo golfe e saber introduzir a vertente da gastronomia nos momentos das refeições. “Porque, em última análise, todos temos de comer pelo menos duas ou três vezes por dia. E estamos a falar de um mercado com poder de compra”. Sobretudo quando se fala de turistas do Canadá, Estados Unidos, Alemanha ou Brasil, que manifestam especial apetência pela gastronomia portuguesa.


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“Experienciar”

O novo factor chave do turismo a nível global é cada vez mais “viver experiências”, mais do que “ver”. Para José Borralho, o grande desafio é fazer os produtores perceberam que receber o turista e “trabalhá-lo” é uma forma de fazer crescer o negócio de forma sustentável.

“Se sou um pequeno produtor, não tenho que ter um chefe ou saber de cozinha porque a experiência que proporciono é o de estar com o produto, mexer com o produto, aprender a sua história, como é que é produzido. O visitante pode-se envolver com o produto, mas a seguir este tem que ir para a confecção. Se criar uma base local com restaurantes, hotéis, escolas de hotelaria, também estou a passar um conjunto de turistas para outros negócios que são complementares ao meu. A mesma coisa acontece no restaurante que recebe turistas e que pode dar destaque a alguns produtos locais”, diz.

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Os restantes portugueses também têm que colaborar: é preciso que tenham orgulho em mostrar o que é português e o que é Portugal.

“Se as experiências são boas, fala-se bem; se são más, fala-se mal. E é mais difícil recuperar uma má imagem do que rentabilizar uma positiva.”

 

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